segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Apesar de tom didático, "Nosso Lar" torna atraente história espiritual

Valdo Cruz


"Nosso Lar", o filme, é uma leitura bem próxima da realidade da "vida depois da vida" retratada no livro homônimo, psicografado pelo médium Chico Xavier.

Para quem não acredita, deve soar estranho ler que o filme reproduz com tons de realidade o que acontece do outro lado. Nada de descanso eterno nem um vazio completo, mas uma vida quase idêntica à que levamos por aqui.

Isso mesmo. Ao ler o livro ou assistir ao filme, a pessoa "descobrirá" que tudo segue num ritmo semelhante ao atual depois da morte: trabalho, comida, angústias, dores, alegrias, moradias, transporte.

A diferença é o cenário, futurista, com tecnologias avançadas que, um dia, prometem o livro e o filme, estarão presentes entre nós na vida terrestre.

Além do fato de, antes, corrermos o risco de dar uma passada pelo umbral, espécie de purgatório na linguagem católica, retratado no filme como um vale de sombras. Da forma como é descrito no livro.

Para quem acredita, o filme emociona e reforça convicções, mas incomoda em alguns momentos pelo tom didático de alguns diálogos, travados em um tom superficial, quase amador.

Nesses trechos, o diretor buscou transformar o filme numa aula sobre espiritismo. Foi fiel à doutrina, mas perdeu em naturalidade. Ausente também em algumas cenas, com imagens próximas às de maquetes e num estilo bem teatral.

Nada que desmereça o filme. Pelo contrário. É uma boa produção nacional, com um roteiro que, como espírita, considero competente ao sintetizar e tornar atraente a história da chegada do médico André Luiz numa colônia espiritual.

Por fim, apesar de carregar nos tons de "introdução ao kardecismo", a doutrina de Alan Kardec que difundiu a crença na reencarnação e na comunicação entre vivos e mortos, o filme pode ser apreciado por crentes ou descrentes.

Vale pela mensagem que transmite, de que devemos estar sempre prontos para recomeçar do zero, sem ressentimentos, culpa e vaidades. Aqui ou lá. Afinal, tudo é efêmero.
 
* Valdo Cruz é jornalista. Publicado na Folha de S.Paulo, em 12/09/2010.

Nenhum comentário:

Postar um comentário